O Prius já superou a marca de 2,3 milhões de unidades vendidas em todo o mundo
Nos mercados automotivos mais importantes do mundo, a Toyota é lembrada pelo pioneirismo na venda de veículos “amigos do meio ambiente”. Essa fama se deve ao Prius, híbrido lançado em 1997 e que já superou a marca de 2,3 milhões de unidades vendidas em todo o mundo. Agora, com o mercado brasileiro se tornando prioridade para muitas marcas, chegou a vez do Brasil receber o hatch com dois motores – um elétrico e outro a gasolina. A importação de sua terceira geração, que acaba de sofrer um face-lift, já foi definida pela fabricante japonesa para o segundo semestre. Mas algumas unidades já estão rodando nas ruas brasileiras como forma de marketing e também para testes.
Apesar da confirmação de que o carro será vendido no Brasil, o seu posicionamento de mercado ainda é bem incerto. A Toyota tenta obter junto ao Governo Federal incentivos tributários para a venda de modelos híbridos e elétricos. A ideia é conseguir algum tipo de isenção no ICMS, IPVA e principalmente no IPI desses veículos mais econômicos e menos poluentes. De olho nessa disputa, além da Toyota, estão Chevrolet, Nissan e Ford e outras marcas que veem no Brasil algum futuro para os seus carros ecológicos.
Do jeito que está, a vida do Prius será bem complicada. Com os impostos “cheios” a que seria submetido hoje, o preço do modelo superaria os R$ 100 mil com facilidade. Com um preço desses, o hatch ficaria inviável. Com as possíveis isenções, o preço poderia baixar para a casa dos R$ 80 mil – ainda assim bastante elevado. Mas que até conseguiria se justificar pela grande quantidade de tecnologia embarcada, pelo apelo ecológico e pela economia de combustível.
De uma maneira ou de outra, a estratégia de vendas do Prius passa diretamente pela sua imagem de carro “verde”. E nisso, o híbrido da Toyota é quase imbatível. O modelo é conhecido mundialmente – principalmente entre os mais ávidos pelo meio ambiente. Durante o Salão de Tóquio, em dezembro, a marca adiantou que a expectativa é vender 100 unidades ao mês por aqui. Ou seja, é para ser o que se costuma chamar de “carro de imagem” – algo que aparece muito na mídia, mas sem pretensões de ser um “best seller”. Uma expectativa bem distante das mais de 250 mil unidades que o credenciaram como o carro mais vendido do Japão em 2011.
Potência combinada desenvolve 138 cavalos
Mudanças incluem rodas e lanternas traseiras com nova disposição de luzes
Obviamente, a fama do carro tem muito a ver com o seu trem de força. A parte a gasolina do conjunto híbrido é formado por um motor de 1.8 litro, feito em bloco de alumínio, com comando duplo no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Com ciclo Atkinson – ligeiramente diferente do tradicional ciclo Otto –, ele desenvolve 98 cv de potência a 5.200 rpm e 14,5 kgfm a 4 mil rotações.
Já o propulsor elétrico é movido por baterias de níquel instaladas sob o piso do porta-malas e conseguem gerar 40 cv. Na potência combinada, são 138 cv. Até cerca de 50 km/h, é possível manter por algum tempo apenas o modo elétrico. No restante das situações, é o motor a combustão que move as rodas dianteiras, com o auxílio do elétrico para economizar combustível. O câmbio é continuamente variável – o que também contribui para a racionalidade energética. As baterias do motor elétrico podem ser recarregadas através do freio regenerativo ou pelo próprio propulsor a combustão.
Modelo comercializado foi apresentando em dezembro
A versão testada do Prius era bastante completa. Provavelmente só essa configuração deve ser vendida por aqui, para tentar justificar o inevitável alto preço cobrado pelo veículo. Portanto, o carro já virá equipado com airbags frontais, laterais, de cortina e de joelho para o motorista, ABS, controles de estabilidade e de tração, sistema de som, ar-condicionado automático, direção elétrica e trio elétrico, entre outros equipamentos.
Visualmente, o Brasil vai receber o Prius já com a reestilização apresentada no Salão de Tóquio, em dezembro. Foram poucas mudanças, como novas rodas e lanternas traseiras com nova disposição de luzes. Mas o mais importante continua lá – o desenho incomum, o já famoso nome do carro e a inegável “mística ecológica” que se formou em torno dele. Razões suficientes para qualquer simpatizante da “causa verde” virar o pescoço para acompanhar a passagem do Prius.
Ficha técnica
Motores: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.798 cm3, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo de válvulas no cabeçote com variação na abertura das válvulas na admissão. Injeção eletrônica de combustível. Propulsor elétrico com 40 cv (650 V) abastecido por 28 módulos de baterias de níquel instaladas sob o piso do porta-malas.
Transmissão: Automático do tipo CVT, de variação contínua, com uma marcha a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima do motor a combustão: 98 cv a 5.200 rpm.
Potência máxima do gerador elétrico: 40 cv.
Potência máxima com ambos propulsores: 138 cv.
Torque máximo do motor a combustão: 14,5 kgfm a 4 mil rpm.
Torque máximo do gerador elétrico: 21,1 kgfm.
Diâmetro e curso: 80,5 mm X 88,3 mm. Taxa de compressão: 13.0:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 215/45 R17.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos rígidos. Oferece ABS e EBD.
Carroceria: Fastback com quatro portas e cinco lugares. Com 4,46 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,49 m de altura e 2,70 m de entre-eixos. Oferece sete airbags: dois frontais, dois laterais dianteiros, dois do tipo cortina e um para o joelho do motorista.
Peso: 1.379 kg.
Capacidade do porta-malas: 445 litros.
Tanque de combustível: 45 litros.
Produção: Nagóia, Japão.