Avaliação: Fiat Toro 1.3 2022 ganha agilidade e amplia conectividade


Com novo motor turbo flex e mudanças na cabine, Toro corrige falhas para manter-se na vice-liderança entre as picapes

 

 

 

A Fiat nada de braçada quando o assunto é picape, com a “dobradinha” em vendas das líderes Strada (no alto do pódio) e Toro (em segundo lugar) desde 2016. Após renovar por completo a picape pequena em 2020, a fabricante tratou de atualizar a Toro este ano, com mudanças no visual, na cabine e na mecânica. Com as novidades, a Fiat Toro 2022 ganha fôlego para se manter na vice-liderança entre os comerciais leves?

A reestilização da Toro seguiu a proposta do conceito Fastback, apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2018. Nesta versão Volcano, a grade traz moldura cromada que estende-se até os novos faróis full LED. Com o reposicionamento do logotipo da Fiat, o capô foi redesenhado e ganhou novos vincos que deixaram a dianteira mais alta. As luzes de rodagem diurna agora são em LED em todas as versões e, a partir da Freedom, os faróis de neblina usam a mesma tecnologia.


A lateral exibe apenas novos desenhos de roda, enquanto a traseira permaneceu praticamente inalterada – a única e discreta mudança é o logotipo T270, que identifica o torque do motor 1.3 turbo (270 Nm). Nesta versão, a capacidade total de carga é de 670 kg (o que, vale lembrar, inclui a soma do peso dos ocupantes).

Na cabine, a Fiat investiu na melhoria de pontos fracos da Toro original, como a escassez de porta-objetos e a limitação em conectividade. No console central, entre os bancos, há dois porta-copos e um nicho adicional, além de um espaço amplo com carregador de celular por indução à frente do câmbio. Há duas entradas USB tradicionais (sedo uma para o banco traseiro) e uma nova conexão do tipo USB-C.


O painel foi redesenhado para abrigar as novas centrais multimídias, que podem ser de 7”, 8,4” ou 10,1”, de acordo com a versão. O modelo avaliado trazia o pacote opcional com a maior tela, de disposição vertical, que remete ao arranjo das picapes RAM 1500 e RAM 2500. A tela possui ótima usabilidade, conexão 4G nativa com Wi-Fi (com mensalidade à parte) e espelhamento de Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Por meio de aplicativo de celular, é possível destravar/travar as portas, acionar o motor ou verificar a localização do carro em tempo real, entre outras funções.

O quadro de instrumentos agora traz unicamente tela de 7” em todas as versões, com velocímetro e conta-giros totalmente digitais. Os indicadores de nível de combustível e temperatura do líquido de arrefecimento ficam nas extremidades, em mostradores físicos. O acabamento da picape é correto, com bons encaixes e plástico rígido de boa aparência – não há material emborrachado, como nos “primos” Renegade e Compass, da Jeep.


A versão Volcano é a topo de linha com o motor 1.3 turbo. Tabelada a R$ 144.990, traz de série faróis full LED, 7 airbags, bancos em couro com regulagem elétrica para o motorista, rodas de 18”, chave presencial, partida do motor por botão, controle de cruzeiro, sensores de estacionamento na dianteira e traseira e câmera de ré, entre outros.

Opcionalmente, a Fiat Toro 2022 pode ser equipada com os pacotes Tecnologia (com multimídia de 10,1”, frenagem autônoma de emergência e alerta de mudança involuntária de faixa com correção do volante), por R$ 3 mil, ou Tecnologia Plus (que mantém os itens do pack Tecnologia e acrescenta teto solar), por R$ 7 mil.


Faltas sentidas na lista de equipamentos são as de sensores de pontos cegos e freios a disco na traseira, que possibilitariam a adoção de freio de estacionamento eletromecânico, como no Compass. O sistema de alerta de baixa pressão dos pneus foi simplificado, passando a ser do tipo indireto (iTPMS), que exige o reset a cada aferição da pressão dos pneus. Bons detalhes da picape são o porta-objetos sob o banco do passageiro, luzes de cortesia individuais na traseira, iluminação na parte interna da caçamba e abertura bipartida da tampa traseira.

Novo motor 1.3 turbo flex

Mudança aguardada na gama da Fiat Toro 2022 era a chegada do novo motor GSE 1.3 turbo flex, com tecnologias como injeção direta e sistema MultiAir III de controle das válvulas de admissão. Disponível a partir da básica Endurance (que mantém opção do antigo 1.8 E.torQ flex), produz 185/180 cv (E/G) de potência a 5.750 rpm e torque máximo de 27,5 kgfm a 1.750 rpm com ambos os combustíveis. Na comparação com o 2.4 Tigershark flex, descontinuado na linha 2021, o 1.3 possui 2,6 kgfm a mais de torque e apenas 1 cv a menos (com etanol). O câmbio continua o mesmo automático de 6 marchas da versão 1.8, com tração somente dianteira.


O novo motor deixou a Toro ágil nas respostas, com boa entrega de força em baixas rotações – ainda que um ligeiro turbo lag seja perceptível ao sair da imobilidade. Segundo dados de fábrica, a Toro Volcano 1.3 é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 11 segundos com etanol e alcançar a máxima de 197 km/h.

Continua a impressionar na Toro o excelente comportamento dinâmico. Graças à construção do tipo monobloco (com maior rigidez torcional) e à suspensão traseira independente (multibraço), a picape mostra respostas ágeis da direção e apresenta pouca rolagem da carroceria em curvas. No modo Sport, a assistência elétrica da direção é reduzida e as trocas de marcha são feitas em rotações mais elevadas.


O consumo no padrão do Inmetro é de 6,5 km/l, na cidade, e 8 km/l, na estrada, com etanol. Com gasolina no tanque, na ordem, são 9,4 km/l e 10,8 km/l. Em nosso percurso de avaliação em único dia, com trechos de cidade e estrada, conseguimos a média de 7,6 km/l (com etanol e ar-condicionado ligado). Em ambiente urbano, as médias poderiam ser melhores se houvesse sistema start-stop – curiosamente, a bateria da Toro 1.3 é compatível com a tecnologia, o que indica possível adoção no futuro (no passado, as versões 1.8 e 2.4 já tiveram o sistema de série).

Aspecto negativo da unidade avaliada foi o ruído do motor, semelhante ao do motor 2.0 turbodiesel, especialmente em ambiente urbano. A 120 km/h, o 1.3 gira a 2.100 rpm.


As mudanças na gama da Fiat Toro 2022 deixaram a picape mais ágil, equipada e na vanguarda quando o assunto é conectividade. Vide-líder entre todas as picapes (perdendo apenas para a Strada), a picape atualiza suas credenciais para seguir em voga até a chegada de novas rivais, como a Ford Maverick, a sucessora da Chevrolet Montana e o projeto derivado da Volkswagen Tarok.

Ficha técnica da Fiat Toro Volcano 2022

• DADOS DE FÁBRICA
Fiat Toro Volcano T270 2022

Motor
Dianteiro, transversal, 3 cilindros em linha

Cilindrada
1.332 cm³

Potência
185/180 cv (E/G) a 5.750 rpm

Torque
27,5 kgfm (E/G) a 1.750 rpm

Câmbio
Automático de 6 marchas, tração dianteira

Suspensão (dianteira / traseira)
Indep. McPherson/Indep. Multibraço

Pneus e rodas
225/60R18

Freios (dianteira / traseira)
Disco ventilado/Tambor

Peso (kg)
1.705

Comprimento (mm)
4.945

Largura (mm)
1.845

Altura (mm)
1.739

Entre-eixos (mm)
2.990

Volume da caçamba (litros)
937

Tanque de combustível (litros)
55

Preço básico
R$ 144.990

 

• CONSUMO
Fiat Toro Volcano T270 2022

Consumo Inmetro (em km/l)

Cidade (E/G)
6,5/9,4

Rodovia (E/G)
8/10,8

Média PECO com etanol

(55% cidade/45% estrada)

7,2

Autonomia com etanol (km)
396

 

Fotos: Divulgação

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